terça-feira, 24 de agosto de 2010

UM DIA O ADEUS!
Com você,
As expressões do meu olhar
Exalam desejos,
Anseios de paz,
Candura e ternura.
Minha percepção é clara
E a minha alma é invadida
Pelas armadilhas do amor...
Com você...
Desbravei recantos desertos do meu ser,
Colori as sombras do caminho,
Matei a sede da paixão
E em teu corpo fui beber...
Delícias do prazer,
Com gosto doce de vinho!
Com você peguei carona na nuvem...
Molhada da chuva do inverno
Até que vencida
Aportei no amor que pensei ser eterno!
Mas um dia acordei...
Sem você,
E o brilho dos meus afetos
Tornou-se gelado e sem cor.
Um barco sem rumo
À procura do ausente.
Um gosto de poema pela metade...
Restos de melodia, sobras de amor!
Sem você...
Sem sentido ficou a cama vazia
Chorou a saudade, de raiva e despeito
Quebrou-se a magia no adeus terrível
Ficou o vazio doendo no peito!
Rosário Cavalcante & Marlene Gomes

VIAGEM DE VOLTA!
Fascinada segui os cristais...
Sem tocá-los, olhava a distância
Gotas coloridas na janela...
Formavam espirais;
Voltei a infância...
Andei entre os pingos da chuva,
Vi-me adulta, amarguei decepção!
Fui anjo... mulher,
Fui mãe... fui estrela!
Vi a raiva cegar a lembrança,
Molhando a recordação...
Vi o sonho destruído de uma vida
Dar adeus a ilusão!
Vi também você voltando,
Carente, ferido... coração magoado...
Pedaços da alma em desatino.
Vi a força irônica do destino,
E os pingos em espirais sobre a janela...
Nos levar de volta ao passado!
Rosário Cavalcante
Publicado no Recanto das Letras em 13/12/2007
Código do texto: T777201
terça-feira, 3 de agosto de 2010

CHORAM OS ANJOS!
Cantem meus anjos, a fera está solta,
Pisando na escura nuvem de raio e trovão...
Magoada, ferida, molhada de chuva,
Recolhendo da vida, restos de ilusão!
Cantem meus anjos, a fera vem vindo...
E o castelo de sonho já desmoronou,
Amarga, atrevida, pisando nas flores,
Em fúria gritando, procura o amor!
Calem-se agora, a fera chegou...
Querendo matar, apenas chorou,
Inverno no corpo, triste vazio...
Chorem meus anjos, a luz apagou!
Rosario Cavalcante
Publicado no Recanto das Letras em 26/03/2008
Código do texto: T918008

GOTAS DE ORVALHO!
Olhei as flores de orvalho molhadas...
Natureza viva, presença de Deus!
Inocência sem barreiras, acalentada...
Nos braços infantis, carinhos meus!
No aconchego o encanto, sorriso criança,
Despida de orgulho, de ódio e rancor,
Abria da alma transparente a porta...
Deixando por ela passar o amor!
E hoje, ali parada, admirando o jardim,
Te vi pequenina...ainda em botão.
Lembrei então que fui na infância...
Um pouco do doce do seu algodão!
Mas... o tempo que passa é algoz e senhor,
E a rosa sangra a mão que a afagou;
Pois é assim que meu coração está agora...
Molhado de orvalho...como aquela flor!
Rosario Cavalcante
Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007
Código do texto: T716129
terça-feira, 27 de julho de 2010

DESEJO!
Ainda é primavera...
Faz em mim teu pouso,
Desejo floresce na espera
Meu corpo chora por ti!
Teu amor ...
Tem gosto de terra molhada,
Do fruto doce colhido do pé,
Cheiro de anjo na madrugada,
Roubando meu sono, tirando minha fé!
Teu amor...
Levou meu sossêgo,
Misturou o tormento
Com alegria e prazer...
Enlouqueceu minha calma,
É delícia é tortura...só respiro você!
Vem... colher minhas flores...
Meu corpo fértil te espera,
Vem... plantar em mim teu amor...
Que ainda é Primavera!
Rosario Cavalcante
Publicado no Recanto das Letras em 23/11/2007
Código do texto: T749170
quinta-feira, 22 de julho de 2010

CASTELO EM RUÍNAS!
Voltaram os fantasmas...
Passeando entre os escombros,
Ali a vida um dia sorriu,
Hoje são restos, assombros...
entulhos de areia e poeira,
Tudo acabou...Tudo ruiu!
Voltaram os fantasmas,
Gritando por você...
Alma infeliz... Despedaçada,
Respirando miséria e desamor,
Era o próprio Deus no apogeu...
Agora é vazio... É nada,
Morreu no veneno que semeou!
Voltaram os fantasmas...
Gritando por mim,
Que vulnerável anulei a vida
Depois carente e perdida...
Fui vítima de todo o teu mal!
Eles chegaram... Os fantasmas...
Vieram rir da tua sina,
Andaram sobre as pedras que restaram
Adorando te ver entre as ruínas!...
Rosario Cavalcante
Publicado no Recanto das Letras em 07/12/2007
Código do texto: T767951
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